@PHDTHESIS{ 2025:1716997842, title = {A literatura de testemunho e a escrita de si como constructos da memória e do malheur weiliano nos diários de Etty Hillesum}, year = {2025}, url = "http://tede.bc.uepb.edu.br/jspui/handle/tede/5370", abstract = "A pesquisa intitulada A literatura de testemunho e a escrita de si como constructos da memória e do malheur weiliano nos diários de Etty Hillesum analisa os diários de Etty Hillesum, escritos entre 1941 e 1943, sob a perspectiva da literatura de testemunho e da escrita de si, relacionando-os ao conceito de malheur da filósofa Simone Weil. O estudo busca compreender como os diários constituem um espaço de construção da memória e expressão do sofrimento existencial diante das atrocidades nazistas, configurando uma escrita que combina reflexão filosófica, ética e resistência. O texto examina o gênero diarístico, destacando a singularidade da escrita feminina de Hillesum e seu compromisso ético diante do sofrimento e da violência. A pesquisa dialoga com teorias literárias e filosóficas para analisar como a literatura de testemunho vai além do relato pessoal, assumindo um papel coletivo de preservação da memória das vítimas do Holocausto. Um dos focos centrais está na relação entre o sofrimento narrado por Hillesum e o malheur definido por Weil, que associa a infelicidade profunda à ausência de amor e à desumanização causada pela opressão. A orientação filosófica amplia a compreensão tanto da materialidade do sofrimento quanto do sentido transcendental que sua escrita busca instaurar. A análise também cruza perspectivas éticas sobre a responsabilidade divina e o enigma do mal, considerando a ideia de Deus como vulnerável, conforme Hans Jonas, e destaca o ato de escrita como uma forma de resistência contra o esquecimento e a brutalidade. Por outro lado Michel Foucault oferece um quadro teórico para compreender como a literatura de testemunho, especialmente em contextos de violência extrema, não apenas registra fatos, mas sedimenta práticas de resistência, memória crítica e afirmação da identidade humana contra os mecanismos de poder que tentam sujeitá-la e invisibilizá-la, assim como nos proporciona enxergar a violência em seu processo de transição entre a violência brutal e a sutil que sujeita os corpos a técnicas de punição e poder. Outras questões são fundamentadas, como o contexto do feminismo e da escrita feminina com Maria Clara Bingemer e a literatura, cujo espaço se apresenta como categoria narrativa, como lugar identitário para a mulher construir seu próprio significado e afirmar sua existência para além dos papéis masculinos tradicionais. Essa abordagem é especialmente importante para compreender a escrita dos diários de Etty Hillesum como uma literatura de testemunho feminina, que desvela outra voz, não submissa à lógica do masculino, reforçando um feminismo que reivindica espaço e sentido próprios na prática da escrita. Soma-se à discussão, o alinhamento da literatura de testemunho com temas como memória, ética e interculturalidade, fortalecendo o tratamento do mito, história e subjetividade presentes nos diários de Hillesum, que valoriza uma escrita que busca na mística um aporte simbólico para iluminar a compreensão do sofrimento e do malheur traduzidos na obra de Etty, conectando os campos literário, filosófico e ético, como nos ajuda a entender Maria Simone Marinho Nogueira. Metodologicamente, a pesquisa agrega análise reflexiva, estilística e histórica, posicionando a escrita como um ato de criação de sentido e resgate da dignidade humana. A tese deve contribuir para os estudos literários, filosóficos, históricos e místicos, mantendo viva a voz de uma jovem, cuja escrita se apresenta como patrimônio ético e cultural para compreensão do Holocausto e das (im)possibilidades humanas frente ao mal. O resultado desta discussão articula uma compreensão da literatura de testemunho de Etty Hillesum, integrando o malheur de Simone Weil com a noção de escrita de si presente no feminismo literário contemporâneo, apoiado nos fundamentos críticos de autoras e autores como Bingemer, Nogueira, Jonas, Foucault entre outros, ampliando o diálogo entre literatura, filosofia e memória.", publisher = {Universidade Estadual da Paraíba}, scholl = {Programa de Pós-Graduação em Literatura e Interculturalidade - PPGLI}, note = {Centro de Educação - CEDUC} }