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Tipo do documento: Tese
Título: A literatura de testemunho e a escrita de si como constructos da memória e do malheur weiliano nos diários de Etty Hillesum
Título(s) alternativo(s): Testimonial literature and self-writing as constructs of memory and Weilian malheur in Etty Hillesum’s diaries
La literatura de testimonio y la escritura de sí como constructos de la memoria y del malheur weiliano en los diarios de Etty Hillesum
Autor: Bezerra, Carolina Cavalcanti 
Primeiro orientador: Nogueira, Maria Simone Marinho
Primeiro membro da banca: Justino, Luciano Barbosa
Segundo membro da banca: Souza, Francisca Zuleide Duarte de
Terceiro membro da banca: Lopes, Marcio Cappelli Aló
Quarto membro da banca: Silveira, Ana Patrícia Frederico
Resumo: A pesquisa intitulada A literatura de testemunho e a escrita de si como constructos da memória e do malheur weiliano nos diários de Etty Hillesum analisa os diários de Etty Hillesum, escritos entre 1941 e 1943, sob a perspectiva da literatura de testemunho e da escrita de si, relacionando-os ao conceito de malheur da filósofa Simone Weil. O estudo busca compreender como os diários constituem um espaço de construção da memória e expressão do sofrimento existencial diante das atrocidades nazistas, configurando uma escrita que combina reflexão filosófica, ética e resistência. O texto examina o gênero diarístico, destacando a singularidade da escrita feminina de Hillesum e seu compromisso ético diante do sofrimento e da violência. A pesquisa dialoga com teorias literárias e filosóficas para analisar como a literatura de testemunho vai além do relato pessoal, assumindo um papel coletivo de preservação da memória das vítimas do Holocausto. Um dos focos centrais está na relação entre o sofrimento narrado por Hillesum e o malheur definido por Weil, que associa a infelicidade profunda à ausência de amor e à desumanização causada pela opressão. A orientação filosófica amplia a compreensão tanto da materialidade do sofrimento quanto do sentido transcendental que sua escrita busca instaurar. A análise também cruza perspectivas éticas sobre a responsabilidade divina e o enigma do mal, considerando a ideia de Deus como vulnerável, conforme Hans Jonas, e destaca o ato de escrita como uma forma de resistência contra o esquecimento e a brutalidade. Por outro lado Michel Foucault oferece um quadro teórico para compreender como a literatura de testemunho, especialmente em contextos de violência extrema, não apenas registra fatos, mas sedimenta práticas de resistência, memória crítica e afirmação da identidade humana contra os mecanismos de poder que tentam sujeitá-la e invisibilizá-la, assim como nos proporciona enxergar a violência em seu processo de transição entre a violência brutal e a sutil que sujeita os corpos a técnicas de punição e poder. Outras questões são fundamentadas, como o contexto do feminismo e da escrita feminina com Maria Clara Bingemer e a literatura, cujo espaço se apresenta como categoria narrativa, como lugar identitário para a mulher construir seu próprio significado e afirmar sua existência para além dos papéis masculinos tradicionais. Essa abordagem é especialmente importante para compreender a escrita dos diários de Etty Hillesum como uma literatura de testemunho feminina, que desvela outra voz, não submissa à lógica do masculino, reforçando um feminismo que reivindica espaço e sentido próprios na prática da escrita. Soma-se à discussão, o alinhamento da literatura de testemunho com temas como memória, ética e interculturalidade, fortalecendo o tratamento do mito, história e subjetividade presentes nos diários de Hillesum, que valoriza uma escrita que busca na mística um aporte simbólico para iluminar a compreensão do sofrimento e do malheur traduzidos na obra de Etty, conectando os campos literário, filosófico e ético, como nos ajuda a entender Maria Simone Marinho Nogueira. Metodologicamente, a pesquisa agrega análise reflexiva, estilística e histórica, posicionando a escrita como um ato de criação de sentido e resgate da dignidade humana. A tese deve contribuir para os estudos literários, filosóficos, históricos e místicos, mantendo viva a voz de uma jovem, cuja escrita se apresenta como patrimônio ético e cultural para compreensão do Holocausto e das (im)possibilidades humanas frente ao mal. O resultado desta discussão articula uma compreensão da literatura de testemunho de Etty Hillesum, integrando o malheur de Simone Weil com a noção de escrita de si presente no feminismo literário contemporâneo, apoiado nos fundamentos críticos de autoras e autores como Bingemer, Nogueira, Jonas, Foucault entre outros, ampliando o diálogo entre literatura, filosofia e memória.
Abstract: The research titled Testimonial literature and self-writing as constructs of memory and Weilian malheur in Etty Hillesum’s diaries, analyzes the diaries of Etty Hillesum, written between 1941 and 1943, from the perspective of testimonial literature and the self-writing, relating them to the concept of malheur by the philosopher Simone Weil. The study seeks to understand how the diaries constitute a space for the construction of memory and expression of existential suffering in the face of Nazi atrocities, shaping a writing that combines philosophical reflection, ethics, and resistance. The text examines the diary genre, highlighting the singularity of Hillesum’s feminine writing and her ethical commitment in the face of suffering and violence. The research engages with literary and philosophical theories to analyze how testimonial literature goes beyond personal narrative, assuming a collective role in preserving the memory of Holocaust victims. One central focus is the relationship between the suffering narrated by Hillesum and the malheur defined by Weil, which associates profound unhappiness with the absence of love and dehumanization caused by oppression. The philosophical orientation broadens the understanding of both the materiality of suffering and the transcendental meaning that her writing seeks to establish. The analysis also crosses ethical perspectives on divine responsibility and the enigma of evil, considering the idea of God as vulnerable according to Hans Jonas, and highlights the act of writing as a form of resistance against forgetting and brutality. On the other hand, Michel Foucault provides a theoretical framework to understand how testimonial literature, especially in contexts of extreme violence, not only documents events but also consolidates practices of resistance, critical remembrance, and affirmation of human dignity against power mechanisms that attempt to dominate and invisibilize it, helping us see violence in its transition from brutal to subtle forms that subject bodies to techniques of punishment and power. Other issues are grounded, such as the context of feminism and feminine writing with Maria Clara Bingemer, whose space presents itself as a narrative category, as an identity place for women to construct their own meaning and affirm their existence beyond traditional male roles. This approach is especially important for understanding the writing of Etty Hillesum’s diaries as a feminist testimonial literature, unveiling another voice not conforming to patriarchal logic, reinforcing a feminism that claims its own space and meaning in the practice of writing. Added to the discussion is the alignment of testimonial literature with themes such as memory, ethics, and interculturality, strengthening the treatment of myth, history, and subjectivity present in Hillesum’s diaries. This approach values writing that seeks in mysticism a symbolic support to illuminate the understanding of suffering and malheur transformed in Etty’s work, connecting literary, philosophical, and ethical fields, as Maria Simone Marinho Nogueira helps us understand. Methodologically, the research incorporates reflexive, stylistic, and historical analysis, positioning writing as an act of meaning creation and rescue of human dignity. The thesis aims to contribute to literary, philosophical, historical, and mystical studies, keeping alive the voice of a young woman, whose writing constitutes an ethical and cultural legacy for the understanding of the Holocaust and human (im)possibilities in the face of evil. The outcome of this discussion articulates an understanding of Etty Hillesum’s testimonial literature, integrating Simone Weil’s malheur with the notion of self-writing, present in contemporary literary feminism, supported by the critical foundations of authors such as Bingemer, Nogueira, Jonas, Foucault, among others, broadening the dialogue between literature, philosophy, and memory.
La investigación titulada La literatura de testimonio y la escritura de sí como constructos de la memoria y del malheur weiliano en los diarios de Etty Hillesum analiza los diarios de Etty Hillesum, escritos entre 1941 y 1943, desde la perspectiva de la literatura de testimonio y de la escritura de sí, relacionándolos con el concepto de malheur de la filósofa Simone Weil. El estudio busca comprender cómo los diarios constituyen un espacio de construcción de la memoria y expresión del sufrimiento existencial ante las atrocidades nazis, configurando una escritura que combina reflexión filosófica, ética y resistencia. El texto examina el género diarístico, destacando la singularidad de la escritura femenina de Hillesum y su compromiso ético ante el sufrimiento y la violencia. La investigación dialoga con teorías literarias y filosóficas para analizar cómo la literatura de testimonio trasciende el relato personal, asumiendo un papel colectivo en la preservación de la memoria de las víctimas del Holocausto. Uno de los focos centrales está en la relación entre el sufrimiento narrado por Hillesum y el malheur definido por Weil, que asocia la profunda infelicidad a la ausencia de amor y la deshumanización provocada por la opresión. La orientación filosófica amplía la comprensión tanto de la materialidad del sufrimiento como del sentido trascendental que su escritura busca instaurar. El análisis también cruza perspectivas éticas sobre la responsabilidad divina y el enigma del mal, considerando la idea de un Dios vulnerable según Hans Jonas, y destaca el acto de escribir como una forma de resistencia contra el olvido y la brutalidad. Por otro lado, Michel Foucault ofrece un marco teórico para comprender cómo la literatura de testimonio, especialmente en contextos de violencia extrema, no solo registra hechos, sino que sedimenta prácticas de resistencia, memoria crítica y afirmación de la identidad humana frente a los mecanismos de poder que intentan someterla e invisibilizarla. Asimismo, permite vislumbrar la violencia en su proceso de transición entre la violencia brutal y la sutil, que somete los cuerpos a técnicas de castigo y poder. Se abordan otras cuestiones fundamentales, como el contexto del feminismo y de la escritura femenina con Maria Clara Bingemer, cuyo espacio se presenta como categoría narrativa, como lugar identitario para que la mujer construya su propio significado y afirme su existencia más allá de los roles masculinos tradicionales. Este enfoque es especialmente importante para comprender la escritura de los diarios de Etty Hillesum como una literatura de testimonio femenina, que desvela otra voz, no sumisa a la lógica masculina, reforzando un feminismo que reivindica espacio y sentido propios en la práctica de la escritura. Se suma a la discusión el alineamiento de la literatura de testimonio con temas como la memoria, la ética y la interculturalidad, fortaleciendo el tratamiento del mito, la historia y la subjetividad presentes en los diarios de Hillesum. Esta escritura valora la búsqueda en la mística de un soporte simbólico para iluminar la comprensión del sufrimiento y del malheur traducidos en la obra de Etty, conectando los campos literario, filosófico y ético, como lo explica Maria Simone Marinho Nogueira. Metodológicamente, la investigación incorpora análisis reflexivo, estilístico e histórico, posicionando la escritura como un acto de creación de sentido y de rescate de la dignidad humana. La tesis debe contribuir a los estudios literarios, filosóficos, históricos y místicos, manteniendo viva la voz de una joven cuya escritura se presenta como patrimonio ético y cultural para la comprensión del Holocausto y de las (im)posibilidades humanas frente al mal. El resultado de esta discusión articula una comprensión de la literatura de testimonio de Etty Hillesum, integrando el malheur de Simone Weil con la noción de escritura de sí presente en el feminismo literario contemporáneo, apoyado en los fundamentos críticos de autoras y autores como Bingemer, Nogueira, Jonas, Foucault, entre otros, ampliando el diálogo entre literatura, filosofía y memoria.
Palavras-chave: Literatura de testemunho
Escrita de si
Memória
Simone Weil
Área(s) do CNPq: LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade Estadual da Paraíba
Sigla da instituição: UEPB
Departamento: Centro de Educação - CEDUC
Programa: Programa de Pós-Graduação em Literatura e Interculturalidade - PPGLI
Citação: BEZERRA, C. C. A literatura de testemunho e a escrita de si como constructos da memória e do malheur weiliano nos diários de Etty Hillesum. 2025. 164 f. Tese (Doutorado em Literatura e Interculturalidade) - Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, 2026.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: http://tede.bc.uepb.edu.br/jspui/handle/tede/5370
Data de defesa: 4-Dez-2025
Aparece nas coleções:PPGLI - Teses

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